consumidor

Que tipo de consumidor você é? Herói, vítima, indiferente ou vilão?

Por que mudar?
A era geológica atual é denominada Antropoceno, por conta das transformações do Planeta causadas por tecnologias, modelo de produção e consumo criados pelos humanos. Do momento da concepção até à morte (e por muito tempo depois), todos os humanos dependem dos recursos materiais, água, energia e dos serviços ecológicos (ecossistêmicos) providos pelo Planeta.

consumo_mapa

O mapa distorcido mostra (i) regiões e países inflados, por excesso de consumo em relação à capacidade de bioprodutividade e os maiores déficits (variação do amarelo para o vermelho) e (ii) regiões e países encolhidos, com menores déficits, por conta de menor consumo e maior bioprodutividade (azul = faltam dados; variação do verde). Dados da Pegada ecológica de 2003; mapas elaborados em relação à população em 2005. http://pthbb.org/natural/footprint/. Os déficits ecológicos dos países (cores amarelo e vermelho) são compensados por importação de recursos naturais dos países com superávit ecológico.

A mudança de paradigma, para reduzir os déficits ecológicos (consumo versus bioprodutividade) depende, em primeiro lugar, da mudança de modelos de produção e de atitudes dos consumidores. Em segundo lugar, da internalização dos custos dos serviços ecológicos e dos valores dos recursos naturais incorporados nos bens e serviços, para serem pagos pelo consumidor e reinvestidos na biorreposição dos estoques extraídos, o que não acontece, atualmente.

Pegadas
A era geológica atual é denominada Antropoceno, por conta das transformações do Planeta causadas por tecnologias e modelo de produção e consumo criados pelos humanos.
Do momento da concepção até à morte (e por muito tempo depois), todos os humanos dependem dos recursos materiais, água, energia e dos serviços ecológicos (ecossistêmicos) providos pelo Planeta.
– Consumidores: 7,2 bilhões. Brasil 200,4 milhões.
– PIB total em Dólares EUA: 75-80 trilhões. Brasil: 2,25 trilhões
– PIB/habitante: US$13100. Brasil US$12100.
– Recursos materiais extraídos da Natureza: 70 bilhões de toneladas. Brasil: 2 bilhões de toneladas.
– Recursos materiais/habitante: 9,9 ton. Brasil: 10,8 ton.
– Água doce usada (mais a evaporada): 1.600 km3. Brasil: 32,3 bilhões de m3.
– Água doce/habitante: 250m3. Brasil: 170 m3
– Espaço usado para produção: 88 milhões km2. Brasil 5,7 milhões km2.
– Espaço usado para produção/habitante: 0,013 km2. Brasil: 0,030 km2.
– Pegada ecológica: 2,9 hectares/habitante (1,5 Planeta) de área bioprodutiva. Brasil: 2,6 hectares/habitante.

gráficos consumo

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Por que poupar os recursos
A Terra é, metaforicamente, ecossistema fechado para materiais procedentes do espaço, mas, aberto para energia radiante do Sol, meteoros, seus fragmentos e poeira cósmica. A vida é à base de Carbono e todo o Carbono necessário para continuidade da vida é o que existe na Terra.
Superfície do Planeta: 51 bilhões de hectares, 70% (35,7 bilhões de hectares) cobertos por água. Boa parte da área terrestre (15,3 bilhões de hectares) é inabitável ou de difícil ocupação humana e outra parte sem a camada fértil do solo (topsoil).
A área bioprodutiva (ecosfera ou biosfera): apenas 21% da superfície do Planeta, ou 11 bilhões de hectares, dos quais 8,8 bilhões de terra firme, com agricultura, florestas e grande parte de pastagens.

grafico_pizza

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Água é tradicionalmente considerada tema ambiental, porém, o mapa distorcido mostra a disponibilidade de água doce como ativo estratégico e fator de vida. Mapas semelhantes, para outros recursos utilizados pelos humanos, estão no site http://www.worldmapper.org/index.html

consumo_mapa2

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Mudanças de postura de governantes, empresários e lideranças, em geral, devem começar pela substituição do modo romântico de encarar (meio)ambiente como bromélias, mico leão dourado, tartarugas (todos, na realidade, símbolos para atitudes inteligentes de manutenção de biodiversidade) e de ambientalismo, como sinônimo de “abraçar árvores”. É preciso expandir o raciocínio, para além de “poluição” e “mudanças climáticas”, como se fossem as únicas ou as mais relevantes questões de vida e morte da humanidade, quando há também outros aspectos dos ativos naturais, como os serviços ecossistêmicos que passam despercebidos ou fazem parte do estoque de desconhecimento (ignorância) de pessoas referenciadas e tomadoras de decisões.

Todos os humanos são parte do contingente de 7,2 bilhões de consumidores do Planeta, na maior parte de seu tempo e de vida, e não apenas no supermercado, shopping center, agência de automóveis, lojas de telefones celulares e semelhantes. Poucos se sentem consumidores, quando se trata de serviços – a não ser quando confrontados com custos elevados. E que dizer dos que ignoram que são consumidores de planos e programas de governo, pois que o governo é, a propósito, o principal indutor tantas Cadeias de Valor de alto consumo de ativos naturais e desdobramentos de novas cadeias de produção e consumo?
Em outras palavras, é preciso rever o conceito, entendimento, extensão e amplitude do significado de consumidor e consumo.

Tipologias de consumidores & mudança de conduta
São muitas as tipologias atribuídas ao consumidor, ora pelo setor de negócios (marketing), ora por entidades socioeconômicas e socioambientais. Em relação à reflexão do papel político, quatro categorias são referidas.

Consumidor herói – aquele cujos hábitos de consumo, intencionalmente ou não, promovem o equilíbrio (termo, pelo menos figurativo, que não invoque a ira ou contestação raivosa dos puristas) ou a compensação dos impactos econômicos, ambientais e sociais que resultam do consumo de bens e serviços manufaturados e do uso dos bens e serviços providos pela Natureza. [A aposta é para que amplie o protagonismo e influencie outros tipos de consumidores para atitudes socioeconômicas e socioambientais que contribuam para o protagonismo sustentável]

Consumidor vítima – o cidadão que se sente desarmado para enfrentar as pressões do sistema econômico e de produção, mas que precisa ter argumentos, para se juntar aos consumidores heróis. [O desejo é que reaja e assuma papel protagonista]

Consumidor indiferente – o que não se julga responsável ou alega neutralidade quanto aos impactos e consequências do binômio produção e consumo de bens e serviços para sociedade humana e para a Natureza. [A expectativa é que reveja a conduta]

Consumidor vilão – a pessoa desconectada e alheia aos impactos perversos causados pelo consumismo perdulário, desconectado e/ou desinteressado em saber ou reconhecer as consequências danosas para a humanidade. [A esperança é que mude o modo de consumir e de agir]

Evocação

As pessoas são quatro
A tola, que nada sabe e não sabe que nada sabe: evite-a.
A simples, que nada sabe e sabe que nada sabe: ensina-a.
A adormecida, que sabe e não sabe que sabe: desperte-a;
A sábia, que sabe e sabe que sabe: siga-a.

Provérbio árabe. Segundo Knowing and not knowing
http://www.doceo.co.uk/tools/knowing.htm#ixzz2OetAjQ9l

Tradução livre (J.S.Furtado março 2013).

Por João S. Furtado jsfurtado2@gmail.com
São Paulo 16 dezembro de 2014

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publicado em 26/09/16 por

Think and do Tank Sustentabilidade

O que é Sustentabilidade?


Já reparou que cada um tem uma definição do que é Sustentabilidade? Sustentabilidade para mim é diferente de sustentabilidade para você, que é diferente de sustentabilidade para as empresas, que é diferente de sustentabilidade para os governos, e assim por diante. Mas será que todo mundo sabe realmente o que é Sustentabilidade?

A palavra pode parecer difícil, mas o conceito é fácil. Por isso, o Instituto Jatobás iniciou a campanha “O que é Sustentabilidade?”.

A campanha pretende mostrar que existem diversos meios e ferramentas para promover o desenvolvimento sustentável, mas as preocupações são sempre as mesmas: sobrevivência, qualidade de vida e garantia de um futuro para as próximas gerações.

Sustentabilidade na prática é de um jeito para cada um, mas Sustentabilidade para todos é garantir e equilibrar as condições ambientais, econômicas e sociais necessárias para que tudo possa evoluir para melhor, por tempo indeterminado, respeitando, assim, o direito das gerações futuras de alcançarem sua própria sustentabilidade;
dispor de meios para que as pessoas – individualmente ou em coletividade – possam viver com equidade, qualidade e justiça, sem esgotar ou danificar, irremediavelmente, os bens naturais;
criar condições para o funcionamento e a qualidade dos relacionamentos;
conceber os meios e instrumentos para que os sistemas – naturais ou inventadas pelos humanos – possam desempenhar suas atividades e criar valor para todas as partes interessadas, com ou sem o propósito de lucro.
Desenvolver ou evoluir para melhor não significa crescer ou expandir de qualquer maneira; e ser melhor não significa ter mais.

Sustentabilidade para todos requer o entendimento de que tudo o que existe na Terra – e no Universo como um todo – forma um grande sistema no qual o comportamento de qualquer um dos integrantes exerce influência sobre os outros. Por isso, é muito importante que os impactos maléficos – causados por ações humanas – sejam evitados, pois, as consequências acabam se voltando contra os próprios humanos.

Sustentabilidade para todos requer mudança no modo de pensar: de agora para o futuro; de aqui para o Planeta como um todo; de competição para cooperação e compartilhamento; do individual para o coletivo.

Compartilhem suas ideias e participem de nossa campanha. Juntos, podemos construir um caminho mais solidário e sustentável!
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