aquecimento-do-planeta

Por João S. Furtado jsfurtado2@gmail.com
01fev2015

Muitos dos que negam os efeitos das atividades humanas (antrópicas) em escalas importantes para o aumento da temperatura do Planeta, irão para os respectivos túmulos sem dar credibilidade aos relatórios que invocam medidas para redução de emissões de GEE – Gases de Efeito Estufa. Possivelmente, poderá ser o caso do Primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1) do PBMC (Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas), em três volumes, sintetizados no Sumário Executivo que resultou da contribuição de mais de 100 cientistas brasileiros. http://www.insa.gov.br/wp-content/themes/insa_theme/acervo/painelbrasileiro.pdf.

Negacionistas dispostos a considerar o benefício da dúvida a si próprios, darão a necessária atenção ao texto, a fim de não desprezar os riscos de impactos causados por atividades humanas. Os menos radicais do que os dois primeiros adotarão, idealmente, o princípio da precaução, em nome da prevenção de arrependimentos e julgamentos futuros aos quais serão submetidos pelos pares humanos.

O RAN é sugerido a todos – negacionistas, crentes, desinformados e desinteressados, vilões e heróis, especialmente as pessoas que têm poder de decisão a respeito de atividades no sistema produtivo, de consumo e de governos – para que conheçam os fundamentos, análises, conclusões e recomendações do Relatório de Mudanças Climáticas, e pensem a respeito de sua “própria cozinha”: o Brasil.

Aos não iniciados, recomenda-se começar pela leitura do capítulo 2. Apesar do título sofisticado – Forçantes Radiativas Naturais e Antrópicas [o “corretor” do programa de computador poderá desconhecer o termo forçante – aquilo que força, violenta] – o texto fornece conhecimentos essenciais para entender o contexto a respeito do tema central.

As tabelas, contendo os agentes causadores de mudanças climáticas para importantes regiões brasileiras e de GEE e respectivas origens, sintetizam informações essenciais para as pessoas efetivamente decididas a modificar processos produtivos, escolhas de matérias primas, produtos e serviços oferecidos no âmbito do consumo domiciliar, nos espaços urbano, rural e natural.

Pouco é conhecido a respeito de eventos climáticos na história profunda ou de eras geológicas da América Latina. Grandes períodos de frio intenso – as glaciações – aconteceram entre 23 mil e 11 mil anos atrás e há 12 mil anos no continente sul americano, que já era habitado pelos humanos – Homo sapiens. Há 5.000 anos o oceano havia subido 5-6 metros. Não queira isso, para seus descendentes.

Os fenômenos de mudanças climáticas, de origem natural, no passado, eram decorrentes principalmente, das correntes El Nino (calor) e La Nina (frio), que acontecem ainda hoje, e que causaram variações nas chuvas e de temperatura, especialmente na região Amazônica e secas prolongadas e intensas chuvas em várias regiões da América do Sul.

Em 1970, as variações climáticas já eram fortes e sugestivas de origem do aquecimento global, pelo menos em parte derivado de atividades humanas. Porém, há falta de dados consistentes, com séries históricas mais longas sobre precipitação para estudos de modelagem e simulação. O melhores dados são do período 1960-2000.

Estudos recentes mostram que radiações de nuvens, queimadas, mudanças no uso da terra (desmatamento e urbanização), criando ilhas de calor, influenciam a temperatura em zonas urbanas e rurais, porém, faltam dados suficientes para se verificar as influências na temperatura superficial. Houve também mudanças de temperatura nas relações oceano-atmosfera e consequências para níveis de precipitações e nebulosidades.

Diz o RAN: Com base em um número considerável de trabalhos publicados nas últimas décadas, o Quarto Relatório de Avaliação do Clima do IPCC (IPCC-AR4, 2007) concluiu, de forma inequívoca, que a temperatura do oceano global aumentou nos últimos 50 anos, sendo que, mais recentemente, vários estudos científicos têm confirmado, de forma indiscutível, o aquecimento das águas oceânicas. A temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Atlântico tem aumentado nas últimas décadas. No Atlântico Sul, esse aumento é intensificado a partir da segunda metade do século XX, possivelmente devido às mudanças na camada de ozônio sobre o Polo Sul e também ao aumento dos gases efeito estufa (Arblaster e Meehl, 2006; Ranyer et al., 2006). De forma consistente com um clima mais quente, o ciclo hidrológico tem também se alterado, refletindo em mudanças na salinidade da superfície do mar. Estudos mostram que a região subtropical do Atlântico Sul está se tornando mais quente e mais salina (Durack e Wijffels, 2010; McCarthy et al., 2011).

As preocupações envolvem a elevação da temperatura na região subtropical do Atlântico Sul; da salinidade e do nível do mar, já em curso na costa sul-sudeste; modificações biológicas e fisicoquímicas na superfície da terra; alterações dos regimes de chuvas e de concentrações de CO2.

Desdobramentos são previstos em relação ao equilíbrio ecológico de manguezais. A erosão ao longo da costa brasileira afetará drenagem e provocará inundações em áreas densamente povoadas, amplificando os problemas já existente. Há pessoas que consideram informações pessimistas como desanimadoras para ações proativas e razão para a manifestação do mito do avestruz que enfia a cabeça no buraco (mito equivocado). É importante considerar que os brasileiros têm muito a perder, por que o Brasil é “… um dos mais ricos do mundo, tendo seis biomas terrestres (Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal, Pampas, Cerrado e Caatinga), que englobam alguns dos maiores rios do mundo, como o Amazonas, Paraná e São Francisco; e uma costa com cerca de 8.000 km, contendo pelo menos sete grandes zonas estuarinas e toda a plataforma continental.”

É preciso dizer mais para que as pessoas tenham – senão juízo – pelo menos bom senso?
A frase “a dúvida é o principio da sabedoria” é atribuída ao Aristóteles, e tudo o que se refere aos filósofos gregos continua sendo bem recebido. Mas, duvidar de mais, sem usar a sabedoria para saber mais é, no mínimo… (você escolhe o termo).

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publicado em 26/09/16 por

Think and do Tank Sustentabilidade

O que é Sustentabilidade?


Já reparou que cada um tem uma definição do que é Sustentabilidade? Sustentabilidade para mim é diferente de sustentabilidade para você, que é diferente de sustentabilidade para as empresas, que é diferente de sustentabilidade para os governos, e assim por diante. Mas será que todo mundo sabe realmente o que é Sustentabilidade?

A palavra pode parecer difícil, mas o conceito é fácil. Por isso, o Instituto Jatobás iniciou a campanha “O que é Sustentabilidade?”.

A campanha pretende mostrar que existem diversos meios e ferramentas para promover o desenvolvimento sustentável, mas as preocupações são sempre as mesmas: sobrevivência, qualidade de vida e garantia de um futuro para as próximas gerações.

Sustentabilidade na prática é de um jeito para cada um, mas Sustentabilidade para todos é garantir e equilibrar as condições ambientais, econômicas e sociais necessárias para que tudo possa evoluir para melhor, por tempo indeterminado, respeitando, assim, o direito das gerações futuras de alcançarem sua própria sustentabilidade;
dispor de meios para que as pessoas – individualmente ou em coletividade – possam viver com equidade, qualidade e justiça, sem esgotar ou danificar, irremediavelmente, os bens naturais;
criar condições para o funcionamento e a qualidade dos relacionamentos;
conceber os meios e instrumentos para que os sistemas – naturais ou inventadas pelos humanos – possam desempenhar suas atividades e criar valor para todas as partes interessadas, com ou sem o propósito de lucro.
Desenvolver ou evoluir para melhor não significa crescer ou expandir de qualquer maneira; e ser melhor não significa ter mais.

Sustentabilidade para todos requer o entendimento de que tudo o que existe na Terra – e no Universo como um todo – forma um grande sistema no qual o comportamento de qualquer um dos integrantes exerce influência sobre os outros. Por isso, é muito importante que os impactos maléficos – causados por ações humanas – sejam evitados, pois, as consequências acabam se voltando contra os próprios humanos.

Sustentabilidade para todos requer mudança no modo de pensar: de agora para o futuro; de aqui para o Planeta como um todo; de competição para cooperação e compartilhamento; do individual para o coletivo.

Compartilhem suas ideias e participem de nossa campanha. Juntos, podemos construir um caminho mais solidário e sustentável!
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